Quase um clube
- 30 de mar. de 2025
- 4 min de leitura
2025 - O Pisa sempre foi sobre duas coisas: resenha e competição. Em 2025, essa mistura cresceu tanto que já não cabia mais em um time só. Nasceu o Pisa Recreativo. E, com ele, a sensação cada vez mais clara de que a manada virou algo maior. Quase um clube.

A história do Pisa sempre foi sobre resenha e competir.
Não necessariamente nessa ordem.
Às vezes a resenha vinha antes, durante e depois. Às vezes a competição tomava conta. Mas, no fundo, o Pisa sempre foi isso: um grupo que gosta de jogar bola, se cobrar, rir de si mesmo e, quando chega a hora, entrar em quadra para disputar de verdade.
Com o crescimento do time principal, os títulos, a organização cada vez maior e a procura por vagas sempre limitada, 2025 trouxe um novo desafio.
O Pisa tinha muita gente querendo participar.
Mas nem todo mundo estava no mesmo estágio.
De um lado, havia o time competitivo, acostumado a disputar taça, final, mata-mata e jogo grande. Um elenco forte, intenso, com nível alto e cada vez mais cascudo em competições.
Do outro, havia muita gente dos rachões: jogadores comprometidos, presentes, importantes para o grupo, longe de serem iniciantes, mas que ainda não encaravam de igual para igual o ritmo insano do time principal.
E aí surgiu uma pergunta importante:
Como dar espaço para essa galera competir, vestir o manto e representar o Pisa sem jogar todo mundo direto no olho do furacão?
A resposta veio no dia 30 de março de 2025, quando decidimos entrar no Campeonato Paulista da CBF6 com um elenco diferente.
Um novo grupo, formado majoritariamente por jogadores dos rachões.
Só que havia um detalhe estratégico.
Se entrássemos apenas como “Pisa”, todo adversário provavelmente se reforçaria para enfrentar o elenco campeão de sempre. A expectativa seria de pegar o time principal. E isso tornaria a missão muito mais dura para um grupo que estava começando sua própria caminhada competitiva.
Então a solução foi clara: usar um nome que deixasse a proposta evidente.
Nasceu oficialmente o Pisa Recreativo.
Um nome simples, honesto e com a cara do projeto. Competitivo, sim. Mas com outro momento, outro objetivo e outro caminho.
Na estreia, enfrentamos FTC Ribeirão e Sigrilas no mesmo dia.
Os placares não vieram para o nosso lado.
Mas nem tudo se mede em placar, especialmente quando o projeto está começando. Ver aquela galera vestindo o manto, entrando em competição e sentindo o gosto de representar as nossas cores já tinha um peso enorme.
Era mais uma frente se abrindo dentro da história do Pisa.
Pouco depois, em maio, o time principal fez o que vinha se tornando perigosamente habitual: foi campeão.
Venceu o Desportivo América por 4x1, conquistou a Copa Amstel e recebeu como premiação mais um jogo de uniformes da organização — nosso sexto kit.
Com tanto uniforme parado, olhamos para o laranja conquistado na final do ano anterior e pensamos:
“Tá aí. O Recreativo merece identidade própria.”
E merecia mesmo.
A camisa laranja passou a representar esse novo braço da manada. Um time com outro perfil, outra proposta, mas carregando a mesma história, o mesmo escudo e a mesma vontade de estar junto.
Com isso, o projeto ganhou corpo.
Diogo assumiu a frente da comissão, ao lado de Pedro Zanatta. Logo depois, John entrou no bonde. Tudo com o suporte do presida, Flavio, que seguiu por perto para ajudar a organizar mais essa nova dor de cabeça voluntária.
Porque no Pisa é assim: quando uma coisa começa a dar certo, a gente arruma outra para complicar com carinho.
A manada começou a se organizar e foi para jogo.
E no dia 19 de junho de 2025, veio o primeiro grande marco do Pisa Recreativo.
Camisa laranja brilhando, resenha comendo solta e vitória por 10x7 contra o Amigos do Fut, no primeiro festival desse novo projeto.
Curiosamente, o mesmo adversário do primeiro festival da história competitiva do Pisa, lá em 25 de janeiro de 2023.
Só que dessa vez o roteiro foi diferente.

Veio a vitória.
E veio a primeira taça do Recreativo.
Mais um capítulo escrito por esse Pisa que não para de crescer.
Porque quem olha para o Pisa hoje já não vê apenas um grupo de amigos jogando por um time em ascensão.
Vê algo maior.
Não, calma. Também não vamos nos emocionar como se fôssemos o Barcelona. Não temos essa pretensão, nem orçamento, nem sede, nem portão, nem gramado próprio, nem camisa vendendo na loja oficial do Camp Nou.
Mas se o Barça gosta de dizer por aí que é “mais que um clube”, a gente, com a nossa dose obrigatória de ambição e deboche, pode dizer que estamos quase lá.
O Pisa é quase um clube.
Somos um só nos rachões de segunda, nos jogos de quinta, nas competições de fim de semana e nos festivais de feriado.
Somos um grupo que entra em campeonato para disputar título, mas que nunca esquece de rir de si mesmo.
Somos um elenco que joga junto, mas que também sabe abrir espaço para quem ainda está se encontrando no jogo.
A gente se organiza, compete, se cobra e se diverte.
E mesmo sem sede própria, sem paredes e sem portão, o Pisa já virou casa para muita gente.
Porque, no fim, o Pisa não é só onde a bola rola.
O Pisa é onde a gente se encontra.
Onde a gente erra, acerta, reclama, dá risada, melhora, volta, insiste e vive.
Toda semana.
Juntos.
Pisa. Quase um clube.







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