Remontada
- 10 de mai. de 2025
- 4 min de leitura
2025 - Tem virada. Tem reação. E tem jogo que parece escrito por alguém sem nenhum compromisso com a saúde mental da manada. Na semifinal da Copa Amstel, o Pisa saiu perdendo por 5x0, encarou chuva, frio, expulsão, caos absoluto e voltou do abismo para vencer por 6x5.

Era para ser mais um capítulo de uma campanha sólida.
Semifinal da Copa Amstel, adversário invicto, Pisa também invicto, elenco preparado e aquela sensação de jogo grande no ar. Do outro lado, o Sampagode. Um time competitivo e que também chegava com moral para a decisão.
Mas o roteiro decidiu testar a nossa fé.
Antes mesmo da bola rolar, veio o atraso. Mais de uma hora esperando o jogo anterior terminar. A preparação esfriou, o clima mudou e alguns jogadores do Pisa precisaram ir embora antes da partida começar. Quando finalmente entramos em quadra, o mundo começou a desabar.
Literalmente.
Chuva intensa, frio, bola pesada e campo escorregadio. O cenário perfeito para um jogo nervoso, truncado e cheio de erro. E, infelizmente, o Pisa resolveu participar dessa parte do roteiro com bastante entusiasmo.
Logo no primeiro minuto, erro na saída de bola.
1x0 para o Sampagode.
No lance seguinte, lançamento do goleiro adversário direto no pivô, giro rápido e finalização forte.
2x0.
Aos dez minutos, o placar já tinha virado um problema sério. Veio o terceiro, depois o quarto em um lance polêmico: bola esticada pelo adversário, toque nítido no braço, a defesa do Pisa parou para reclamar e a arbitragem mandou seguir.
Confusão.
Expulsão para o nosso lado.
O que já estava ruim ficou com cara de desastre.
E ainda faltava a cereja desse bolo indigesto.
Aos 18 minutos, Flavio, na comissão, achou que a bola tinha saído pela lateral e, na maior boa vontade do mundo, devolveu para o adversário. Só que vacilou, invadiu a quadra sem querer e a regra veio cobrar o preço: falta e cartão.
Na cobrança, bola no canto de Louiz.
5x0.
Um apagão completo.
Nem o Sampagode parecia acreditar no que estava acontecendo. O Pisa, invicto, competitivo e motivado estava cinco gols atrás em uma semifinal.
Ninguém acreditava no placar.
Mas aí veio o detalhe que mudou tudo:
todo mundo acreditou que dava.
O Pisa colocou a bola no chão e a cabeça no lugar. Parou de brigar com o caos e começou a jogar. Aos 20 minutos, Kuminha descontou.
5x1.
Três minutos depois, Rapha fez o dele.
5x2.
O intervalo chegou com o Pisa ainda atrás, mas com outro semblante. O placar era pesado, claro. Mas o rosto levantado dizia o que ninguém precisava explicar em discurso:
A gente ia buscar.

No segundo tempo, o Pisa voltou diferente.
Ou melhor: voltou a ser o Pisa.
Logo no primeiro minuto, após rebote em chute de Rapha, Lucas apareceu para completar.
5x3.
Na sequência, Renatinho acertou um golaço no ângulo.
5x4.
A semifinal, que parecia resolvida, virou incêndio.
O Sampagode sentiu. Começou a cavar falta, atrasar reposição, simular lesão, tentar quebrar o ritmo e fazer o relógio trabalhar. Só que o Pisa já tinha colocado a manada em movimento.
E quando a pisada embala, complica.
Veio o escanteio. Bola na área, confusão, sobra viva e Lucas empurrou para as redes.
5x5.
Empate.
De 5x0 para 5x5.
O jogo já tinha virado história, mas ainda faltava o golpe final.
Faltando dois minutos, Kaká pediu tempo. Era o respiro necessário para um time que pressionava de forma incansável havia mais de 30 minutos. Naquele momento, dava para sentir. Os jogadores se olharam e entenderam que o gol estava perto.
Mais uma falta do adversário poderia gerar shootout.
Mas o Pisa não precisava desse favor.
Último minuto.
Jotaerre arrancou pela esquerda e chutou. O zagueiro rebateu.
A bola sobrou nos pés de Kuminha.
Nosso camisa 10 ajeitou e bateu de esquerda.
Por um instante, pareceu que a bola tocaria em Rapha. Não tocou. Ela bateu na trave e morreu na rede.
Virada.
6x5 para o Pisa.
O banco invadiu a quadra. A comissão correu. Jogador abraçou jogador. Quem estava de fora entrou como se também tivesse feito o gol, o que é tradição em qualquer momento de histeria coletiva minimamente organizado.
Do outro lado, o Sampagode foi ao chão.
Literalmente.
Ainda restavam poucos segundos, mas o adversário já não tinha mais força. A pancada emocional tinha sido grande demais.
Fim de jogo.
Pisa na final da Copa Amstel.
Mas essa glória não foi só pelo placar. Não foi apenas por virar um jogo praticamente perdido. Foi pelo jeito.
Consciente.
Intenso.
Coletivo.
O Pisa não venceu porque achou seis gols por acaso. Venceu porque parou de se desesperar, reorganizou o jogo, acreditou até o fim e foi buscar uma virada que parecia impossível.
De 5x0 para 6x5.
Na chuva.
Na semifinal.
Contra um invicto.
Isso não é só remontada.
Isso é Pisa.
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Comissão
Kaká e Flavio.







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